sábado, 17 de setembro de 2011

Matéria


PROPRIEDADES  DA  MATÉRIA
 pequeno  estudo  de  um  leigo 


São dois os elementos gerais que constituem o universo:  o espírito e a matéria.  Acima disso, temos Deus, a inteligência soberana, a perfeição absoluta que criou o espírito e a matéria e a tudo governa, a tudo preside com justiça e bondade.  Temos aí a trindade universal:  Deus, Espírito e Matéria como princípio de tudo.

Elemento (de elementar, que serve de base) é uma substância composta de apenas um tipo de átomo.  Os elementos químicos (mais de 100 tipos distintos) de matéria natural ou sintética, isoladamente ou em combinação, compõem tudo o que existe no espaço sideral.

Os Espíritos são as inteligências que habitam o espaço infinito.  O Universo, portanto, é a nossa casa, onde os astros se movimentam:  as nebulosas, galáxias, cometas, estrelas etc.  As almas das pessoas, que viveram na Terra e noutros planetas, formam as complexas comunidades do mundo espiritual.
Princípio significa começo ou causa de algum fenômeno – como o espírito, que é tido como o princípio inteligente do universo.  O sábio é um indivíduo de princípios.  Princípios, no plural, significam as normas elementares ou os requisitos primordiais instituídos como base de alguma coisa.  Princípios morais, princípios éticos são aqueles que caracterizam a pessoa de bem.

Vulgarmente consideramos matéria como qualquer coisa que possui massa e ocupa lugar no espaço, está sujeita a inércia e é capaz de nos impressionar os sentidos, pelos quais podemos:  ver-lhe a cor, o tamanho, a beleza;  tatear a superfície, verificando o peso dos objetos;  ouvir-lhe os sons;  cheirar os seus aromas;  degustar comidas e bebidas.  A matéria é constituída de moléculas.  Estas agrupam os átomos, que também se dividem em frações menores.  Chamamos matéria o que é impenetrável.  De fato, ela é impenetrável, mesmo quando pareça:  um prego numa tábua, por exemplo, apenas afasta as fibras da madeira, pois dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. 

Os benfeitores que assistiram AK têm uma definição simplista do que é matéria.  Dizem eles que é o laço que prende o Espírito.  Quando encarnados somos prisioneiros do corpo físico e dele só nos libertamos pela morte.  Podemos ficar presos ao corpo físico, mas não prisioneiros das ideias erradas que alimentamos. 

Propriedade é a qualidade de um determinado objeto.  Alguns exemplos:  a expansibilidade e compressibilidade dos gases;  a faculdade que a água tem de congelar, tornar-se líquida ou transformar-se em vapor.  As moléculas do metal se expandem pela ação do calor.  Há os que admitem como propriedades essenciais a força, o movimento e a capacidade de modificação das moléculas – como, por exemplo, um corpo opaco tornar-se transparente e vice-versa.  As propriedades mais conhecidas:  ponderabilidade, mobilidade, elasticidade, divisibilidade, ductibilidade e indestrutibilidade.  A matéria pode ser transformada, mas não destruída. 

Ponderabilidade é o que faz um corpo ficar sujeito à gravidade.  A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria somente no plano físico, não no plano espiritual.  O fluido universal, do qual se origina tudo o que existe na Terra, não é ponderável, pois a sua constituição é sutil e etérea.

Sutil, o que se infiltra sem alarde, quase ninguém o percebe:  agir com sutileza.  Etéreo é algo não palpável, como a presença de um desencarnado. Tudo o que é etéreo pode ser apenas sentido, mas nunca alcançado, como o cheiro do éter.

Todos os materiais que existem no mundo são formados de um só elemento primitivo:  o fluido cósmico universal, a matéria primitiva.  Pela sua transformação, ele deu origem aos corpos simples (formados de um só tipo de átomo, como o ouro).  E os simples originam os compostos (contendo vários tipos de átomos, como a água).  Outros exemplos de corpos simples:  azoto, carbono, oxigênio e hidrogênio (elementos químicos).

As diversas propriedades da matéria (cheiro, cor, sabor, ponderabilidade, ductibilidade etc) têm origem nas modificações das moléculas em certas circunstâncias, quando ocorrem as reações químicas entre duas ou mais substâncias:  rompem-se as ligações químicas existentes entre os seus átomos, favorecendo a formação de uma nova substância.  Os químicos, que dominam essa área, sabem como transformar a matéria.  Um exemplo prático de ligações químicas para a transformação da matéria:  se tivermos 2 átomos de hidrogênio e 1 de oxigênio, teremos molécula de água potável, própria para ser ingerida.  Contudo, se tivermos 2 átomos de hidrogênio e 2 de oxigênio, teremos molécula de peróxido de hidrogênio, mais conhecido como água oxigenada, que é imprópria para ser ingerida.

Informam os Espíritos que a matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades.  Importa saber que os nossos órgãos têm o poder de distinguir essas propriedades, mas, considerando que as pessoas não são iguais, há as que enxergam num objeto a cor azul, porém, visto por outras, ela pode ser vermelha.  E o que é bom para uns pode não ser para outros:  uma coisa que agrada ao gosto de um pode ser detestável para o de outro.  O que para uns é veneno, para outros pode ser inofensivo ou salutar. 

Concluímos que os corpos considerados simples são modificações de uma única substância primitiva.  O período em que ela existia, a nossa capacidade não nos permite remontar – a não ser em pensamento.  Assim, o azoto, o carbono, o oxigênio e o hidrogênio são considerados verdadeiros elementos.

Pensamos que o estudo da matéria, além de outros benefícios, ajuda-nos a entender as escrituras e o mundo em que vivemos.  Temos aqui dois exemplos:  “lembra-te, homem, que és pó e ao pó hás de tornar (Gênesis, 3:19)”;  “o homem morre uma única vez (Hebreus, 9.27)”.

Os nossos alimentos e o corpo que usamos contêm os mesmos elementos (carbono, oxigênio, hidrogênio, azoto etc) que se encontram nos reinos mineral, vegetal e animal.  Morrendo, as moléculas do nosso organismo vão se misturar ao pó da terra.  Disse Antoine Lavoisier:  “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Quantos Júlio César a História conheceu?  Um.  Quantas Joana d’Arc?  Uma.  O nome tem o corpo físico por referência.  Isto vale para cada um de nós.  É isto o que entendemos sobre a palavra homem ou mulher, designando um ser, enquanto matéria, pó.  O corpo morre, e morre uma única vez, desaparecendo no túmulo.  Nada a ver com o espírito que, liberto da prisão cadavérica, volve ao espaço.  O famoso imperador romano e a legendária heroína da França, em retornando à vida física, podem revelar o talento de César, estadista, ou a coragem da jovem de Domrémy-la-Pucelle, porém, serão novas personalidades, desempenhando papéis diferentes.

“O vento sopra onde quer. Ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito” – João, 3:8.

Fonte da pesquisa:  O Livro dos Espíritos, questões  29 a 34.

          Um  Caminheiro
Além Paraíba, 02 de agosto de 2011.

Zilda Gama



Zilda  Gama

Z
ilda Klörs Gama foi uma das mais celebradas médiuns do Brasil.  Filha do escrivão de paz, Augusto Cristiano da Gama e de Elisa Emília Klörs Gama, nasceu em 11 de março de 1878, em Três Ilhas, Município de Juiz de Fora (MG), e desencarnou aos 10 de janeiro de 1969, no Rio de Janeiro (RJ).  Ela viveu por quase 91 anos, tornando-se paradigma para todos os que encaram a mediunidade como sacerdócio lídimo e autêntico.  Em 1959, após sofrer derrame cerebral, viveu numa cadeira de rodas, assistida pelo sobrinho Mário Ângelo de Pinho, que lhe fazia companhia.  Não obstante as grandes lutas morais que teve que sustentar, Zilda Gama se constituiu na orientadora de muitas criaturas.  É o que pretendemos demonstrar nesse breve relato.

Incontestavelmente, os grandes medianeiros que têm servido de ponte entre os mundos material e espiritual no trabalho meritório de descortinar novos horizontes para a conturbada humanidade terrena foram missionários, podendo-se mesmo afiançar que, na constelação dos médiuns que brilharam na Terra, prodigalizando aos homens novos conhecimentos e preparando o terreno para a implantação da verdade, Zilda Gama brilhou de modo fulgurante, cabendo-lhe uma posição das mais proeminentes.   Alma de escol, dedicou toda sua longa existência ao propósito de difundir no Brasil a consoladora Doutrina dos Espíritos.

Zilda no magistério

Em Além Paraíba (MG), um portão de entrada para o território mineiro, Zilda foi professora primária e diretora de escolas.  Dirigiu o então Grupo Escolar Salles Marques, no bairro de Porto Novo, e também o antigo Grupo Escolar Coronel Castelo Branco, no bairro de Ilha Recreio.  Em 1929 teria transferido residência para Belo Horizonte (MG), ocasião em que obteve o primeiro lugar em concurso aulas-modelos promovido pela Secretaria de Educação de Minas Gerais.  Acreditamos que já residia nesta cidade quando, ainda jovem, com apenas 24 anos, ficou órfã dos pais, tendo que assumir a direção da casa, cuidando de cinco irmãos menores e posteriormente de outros cinco sobrinhos órfãos. 

Zilda nos congressos

No ano de 1927 tomou parte no I Congresso de Instrução Primária de Minas Gerais (possivelmente em BH), como membro permanente.  Em 1931 veio o Congresso Feminino, quando o Brasil viveu intenso movimento em prol dos direitos da mulher.  Zilda Gama foi autora da tese sobre o voto feminino no importante evento.  Essa tese foi aprovada oficialmente e influiu na Constituição de 1932, quando a mulher teve reconhecido o seu direito de votar.  No dia 3 de maio de 1933, graças à influência benéfica da médium, as mulheres brasileiras votaram pela primeira vez, ajudando a eleger os deputados para a Assembleia Nacional Constituinte, durante a Era Vargas.  No ano seguinte, aqueles deputados elegeram Getúlio para Presidente da República.
Zilda na literatura

A professora mineira, que quebrou a exclusividade masculina em questões de direitos civis, exerceu o jornalismo profissional, escrevendo contos e poesias para vários jornais de Juiz de Fora e Ouro Preto, São Paulo e Rio de Janeiro.   Destacou-se no "Jornal do Brasil", "Gazeta de Notícias" e na "Revista da Semana", todos da antiga capital federal.  Didata por excelência, organizou os seguintes livros:  "O Livro das Crianças", "Os Garotinhos", "O Manual das Professoras" e "O Pensamento".
Zilda na mediunidade

Ainda jovem, a médium começou a perceber a presença dos Espíritos.  Recebeu mediunicamente mensagens de seu pai e de sua irmã, já desencarnados, que a aconselhavam e a consolavam nos momentos de provações difíceis pelos quais estava passando.

Em 1912, vivendo em Além Paraíba (MG), sem ter qualquer conhecimento da Doutrina Espírita, recebeu interessante mensagem assinada por Allan Kardec com o seguinte teor:
Sobre a tua fronte está suspenso um raio luminoso que te guiará através de todas as dificuldades, de todos os obstáculos, e será a tua glória ou tua condenação, conforme o desempenho que deres aos teus encargos psíquicos.  Cinge-te de coragem, sem desfalecimento e sem deslizes, em todos os teus deveres sociais e divinos e conseguirás ser triunfante”  1.

Após essa manifestação, o Codificador propiciou-lhe outros ensinamentos, os quais foram impressos no livro "Diário dos Invisíveis", publicado em 1929.  Nessa mesma cidade mineira foi alvo de novos contatos com Espíritos superiores.  Corria o ano de 1916.  Os Benfeitores informaram-lhe que passaria a psicografar uma novela, fato que a deixou bastante perplexa.  O Espírito Victor Hugo passou, então, a escrever por seu intermédio.  Dentro de pouco tempo, a primeira obra "Na Sombra e na Luz" estava completa.  Posteriormente, sob a tutela do mesmo Espírito, vieram os livros "Do Calvário ao Infinito", "Redenção", "Dor Suprema" e "Almas Crucificadas", todas publicadas pela FEB.  Mereceu, também de Victor Hugo, outras obras:  "Solar de Apolo" e "Na Seara Bendita".  Pela sua mediunidade os leitores ainda ganharam as seguintes publicações, cujos autores desconhecemos: "Na Cruzada do Mestre" e "Elegias Douradas".

Os livros mediúnicos da mineira juizforana fizeram época na literatura espírita, além de terem o mérito de suavizar muitas dores e estancar muitas lágrimas.  Zilda Gama foi a pioneira, no Brasil, a receber tão vasta literatura do mundo espiritual, precedendo ao médium do século – Chico Xavier. 

Zilda, benfeitora espiritual

O Centro Espírita Zilda Gama, localizado no Clube dos Duzentos, no Distrito de Jamapará, Município de Sapucaia (RJ), elegeu essa luminosa alma à condição de sua benfeitora espiritual.

A médium Augusta Gama

Augusta Gama Sahione, irmã de Zilda, viveu nesta cidade de Além Paraíba, no elegante bairro de Porto Novo.  Era casada com Taufick Sahione, um cirurgião-dentista de origem libanesa.  Desencarnou em idade bem avançada e, enquanto teve um sopro de vida, exerceu a mediunidade como Jesus recomendou:  “Daí de graça o que de graça recebestes” (Mateus, 10:8).  Alma caridosa, simplicidade em tudo o que fazia, bondade nas palavras e nas ações, atendia aos enfermos do corpo e da alma como médium receitista.  No atendimento aos necessitados de consolo espiritual e de esclarecimento sobre a arte de viver bem e em paz com todos, Dona Augusta usava as suas faculdades de psicografia e psicofonia, pelas quais os bons Espíritos se comunicavam, falando-lhes da imensa misericórdia de Deus.

Pesquisa realizada por
Cleber Dutra   –   Além Paraíba-MG

1.  Pioneiros de uma Nova Era, livro de Antônio de Souza Lucena.
Outras fontes consultadas:
·      Reformador (março de 1978, pág. 92)
·      Google 

PÁTRIA?

Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011 13:50
O Onipotente, quando houve por bem elaborar o Cosmos, criando miríades de sóis e de planetas, fez as diversas mansões dos Espíritos e nenhum tem pátria fixa.  Não lhes pertence nem um pugilo de pó, nem um fragmento de pedra, nem mesmo a que lhes cobre os despojos funéreos, que se transformam em larvas asquerosas e em vegetais que florescem e aromatizam o ambiente.  O Universo, o Infinito, eis a Pátria de todos nós!
Livro: Na Sombra e na Luz
Zilda Gama, pelo Espírito Victor Hugo (
Quem souber informações a respeito de FOTOS e FATOS da vida e obra de ZILDA GAMA favor entrar em contato com Sandra Maria (sandramaria1962@bol.com.br).  Artigos e poesias (publicados ou não em jornais da época), texto da tese apresentada no Congresso Feminino de 1927 etc.




Zilda  Gama

Z
ilda Klörs Gama foi uma das mais celebradas médiuns do Brasil.  Filha do escrivão de paz, Augusto Cristiano da Gama e de Elisa Emília Klörs Gama, nasceu em 11 de março de 1878, em Três Ilhas, Município de Juiz de Fora (MG), e desencarnou aos 10 de janeiro de 1969, no Rio de Janeiro (RJ).  Ela viveu por quase 91 anos, tornando-se paradigma para todos os que encaram a mediunidade como sacerdócio lídimo e autêntico.  Em 1959, após sofrer derrame cerebral, viveu numa cadeira de rodas, assistida pelo sobrinho Mário Ângelo de Pinho, que lhe fazia companhia.  Não obstante as grandes lutas morais que teve que sustentar, Zilda Gama se constituiu na orientadora de muitas criaturas.  É o que pretendemos demonstrar nesse breve relato.

Incontestavelmente, os grandes medianeiros que têm servido de ponte entre os mundos material e espiritual no trabalho meritório de descortinar novos horizontes para a conturbada humanidade terrena foram missionários, podendo-se mesmo afiançar que, na constelação dos médiuns que brilharam na Terra, prodigalizando aos homens novos conhecimentos e preparando o terreno para a implantação da verdade, Zilda Gama brilhou de modo fulgurante, cabendo-lhe uma posição das mais proeminentes.   Alma de escol, dedicou toda sua longa existência ao propósito de difundir no Brasil a consoladora Doutrina dos Espíritos.

Zilda no magistério

Em Além Paraíba (MG), um portão de entrada para o território mineiro, Zilda foi professora primária e diretora de escolas.  Dirigiu o então Grupo Escolar Salles Marques, no bairro de Porto Novo, e também o antigo Grupo Escolar Coronel Castelo Branco, no bairro de Ilha Recreio.  Em 1929 teria transferido residência para Belo Horizonte (MG), ocasião em que obteve o primeiro lugar em concurso aulas-modelos promovido pela Secretaria de Educação de Minas Gerais.  Acreditamos que já residia nesta cidade quando, ainda jovem, com apenas 24 anos, ficou órfã dos pais, tendo que assumir a direção da casa, cuidando de cinco irmãos menores e posteriormente de outros cinco sobrinhos órfãos. 

Zilda nos congressos

No ano de 1927 tomou parte no I Congresso de Instrução Primária de Minas Gerais (possivelmente em BH), como membro permanente.  Em 1931 veio o Congresso Feminino, quando o Brasil viveu intenso movimento em prol dos direitos da mulher.  Zilda Gama foi autora da tese sobre o voto feminino no importante evento.  Essa tese foi aprovada oficialmente e influiu na Constituição de 1932, quando a mulher teve reconhecido o seu direito de votar.  No dia 3 de maio de 1933, graças à influência benéfica da médium, as mulheres brasileiras votaram pela primeira vez, ajudando a eleger os deputados para a Assembleia Nacional Constituinte, durante a Era Vargas.  No ano seguinte, aqueles deputados elegeram Getúlio para Presidente da República.
Zilda na literatura

A professora mineira, que quebrou a exclusividade masculina em questões de direitos civis, exerceu o jornalismo profissional, escrevendo contos e poesias para vários jornais de Juiz de Fora e Ouro Preto, São Paulo e Rio de Janeiro.   Destacou-se no "Jornal do Brasil", "Gazeta de Notícias" e na "Revista da Semana", todos da antiga capital federal.  Didata por excelência, organizou os seguintes livros:  "O Livro das Crianças", "Os Garotinhos", "O Manual das Professoras" e "O Pensamento".
Zilda na mediunidade

Ainda jovem, a médium começou a perceber a presença dos Espíritos.  Recebeu mediunicamente mensagens de seu pai e de sua irmã, já desencarnados, que a aconselhavam e a consolavam nos momentos de provações difíceis pelos quais estava passando.

Em 1912, vivendo em Além Paraíba (MG), sem ter qualquer conhecimento da Doutrina Espírita, recebeu interessante mensagem assinada por Allan Kardec com o seguinte teor:
Sobre a tua fronte está suspenso um raio luminoso que te guiará através de todas as dificuldades, de todos os obstáculos, e será a tua glória ou tua condenação, conforme o desempenho que deres aos teus encargos psíquicos.  Cinge-te de coragem, sem desfalecimento e sem deslizes, em todos os teus deveres sociais e divinos e conseguirás ser triunfante”  1.

Após essa manifestação, o Codificador propiciou-lhe outros ensinamentos, os quais foram impressos no livro "Diário dos Invisíveis", publicado em 1929.  Nessa mesma cidade mineira foi alvo de novos contatos com Espíritos superiores.  Corria o ano de 1916.  Os Benfeitores informaram-lhe que passaria a psicografar uma novela, fato que a deixou bastante perplexa.  O Espírito Victor Hugo passou, então, a escrever por seu intermédio.  Dentro de pouco tempo, a primeira obra "Na Sombra e na Luz" estava completa.  Posteriormente, sob a tutela do mesmo Espírito, vieram os livros "Do Calvário ao Infinito", "Redenção", "Dor Suprema" e "Almas Crucificadas", todas publicadas pela FEB.  Mereceu, também de Victor Hugo, outras obras:  "Solar de Apolo" e "Na Seara Bendita".  Pela sua mediunidade os leitores ainda ganharam as seguintes publicações, cujos autores desconhecemos: "Na Cruzada do Mestre" e "Elegias Douradas".

Os livros mediúnicos da mineira juizforana fizeram época na literatura espírita, além de terem o mérito de suavizar muitas dores e estancar muitas lágrimas.  Zilda Gama foi a pioneira, no Brasil, a receber tão vasta literatura do mundo espiritual, precedendo ao médium do século – Chico Xavier. 

Zilda, benfeitora espiritual

O Centro Espírita Zilda Gama, localizado no Clube dos Duzentos, no Distrito de Jamapará, Município de Sapucaia (RJ), elegeu essa luminosa alma à condição de sua benfeitora espiritual.

A médium Augusta Gama

Augusta Gama Sahione, irmã de Zilda, viveu nesta cidade de Além Paraíba, no elegante bairro de Porto Novo.  Era casada com Taufick Sahione, um cirurgião-dentista de origem libanesa.  Desencarnou em idade bem avançada e, enquanto teve um sopro de vida, exerceu a mediunidade como Jesus recomendou:  “Daí de graça o que de graça recebestes” (Mateus, 10:8).  Alma caridosa, simplicidade em tudo o que fazia, bondade nas palavras e nas ações, atendia aos enfermos do corpo e da alma como médium receitista.  No atendimento aos necessitados de consolo espiritual e de esclarecimento sobre a arte de viver bem e em paz com todos, Dona Augusta usava as suas faculdades de psicografia e psicofonia, pelas quais os bons Espíritos se comunicavam, falando-lhes da imensa misericórdia de Deus.

Pesquisa realizada por
Cleber Dutra   –   Além Paraíba-MG

1.  Pioneiros de uma Nova Era, livro de Antônio de Souza Lucena.
Outras fontes consultadas:
·      Reformador (março de 1978, pág. 92)
·      Google 

PÁTRIA?

Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011 13:50
O Onipotente, quando houve por bem elaborar o Cosmos, criando miríades de sóis e de planetas, fez as diversas mansões dos Espíritos e nenhum tem pátria fixa.  Não lhes pertence nem um pugilo de pó, nem um fragmento de pedra, nem mesmo a que lhes cobre os despojos funéreos, que se transformam em larvas asquerosas e em vegetais que florescem e aromatizam o ambiente.  O Universo, o Infinito, eis a Pátria de todos nós!
Livro: Na Sombra e na Luz
Zilda Gama, pelo Espírito Victor Hugo (
Quem souber informações a respeito de FOTOS e FATOS da vida e obra de ZILDA GAMA favor entrar em contato com Sandra Maria (sandramaria1962@bol.com.br).  Artigos e poesias (publicados ou não em jornais da época), texto da tese apresentada no Congresso Feminino de 1927 etc.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Visitas Domiciliares


VISITAS DOMICILIARES
H

á casas espíritas que realizam visitas domiciliares.  Os médiuns saem em grupos e buscam os enfermos, levando-lhes os benefícios do atendimento espiritual.  Na residência do paciente são por ele recebidos com um luminoso júbilo estampado nas faces marcadas pelo sofrimento.   Uma palavra fraterna e a leitura de uma página evangélica, uma prece envolvente e o passe restaurador complementam tudo o que o padecente recebe uma única vez por semana... por breves minutos!...  Nada mais tem a não ser a esperança da próxima visita.  Dali, o grupo sai à procura de outro lar, mas deixa o perfume do amor ao próximo, operando as transformações positivas.

Observamos que frequentemente algumas pessoas faltam ao trabalho e muitas casas deixam de ser visitadas.  É grande a decepção  dos necessitados que aguardam, em vão, o socorro semanal!...  Nem página... nem prece... nem passe... nem uma única palavra amiga!...  Só o vazio da solidão!...  Eles sentem a falta do atendimento espiritual e se assemelham a flores que principiam a murchar.

_________________________

Não devemos permitir que a nossa negligência contribua para o abandono dos enfermos.  Vençamos o desânimo!!!...   Abracemos a oportunidade de servir...  enquanto ainda estamos por aqui!...  Este é o objetivo desta reflexão:  lembrar o compromisso que assumimos em favor desses desafortunados. 

Os tarefeiros de boa vontade que leem estas linhas, por favor, alistem-se para este trabalho que sintetiza o amor e a caridade em favor dos que sofrem.  Compareçam ao centro para fortalecer as equipes que ainda permanecem dispostas ao cumprimento da sagrada missão de visitar os irmãos e irmãs infelizes, provisoriamente domiciliados na dor.  Saibam que o médium é o maior beneficiado nessas tarefas.  Após as visitas realizadas, ele sente energia e vitalidade, equilíbrio e paz, pois recebe muito mais do que doa.

UM CAMINHEIRO
Além Paraíba-MG,  janeiro de 2011.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Renato Prieto


RENATO  PRIETO
Em
ALÉM  PARAÍBA

O

dia 27 de julho deste ano de 2011 foi um marco na história do movimento espírita desta cidade pela encenação do evento teatral A MORTE É UMA PIADA”.
A alma do espetáculo foi Renato Prieto, que viveu o papel de André Luiz no filme “Nosso Lar”.  O ator apresentou-se no palco do Cine Brasil acompanhado de duas atrizes – Silvia D’Silva e Rosana Penna – para divertir o público que lotou, literalmente, o enorme espaço da sala.  Eles falaram da morte de uma forma bem-humorada, contando piadas e citando frases de autores conhecidos.  As falas, evocando situações divertidíssimas, são de elevado padrão ético e em perfeita sintonia com as dimensões espirituais superiores.  No recheio da exposição, para o deleite dos mais exigentes, interpretaram muitas composições musicais de apurado bom gosto e que são verdadeiros sucessos já consagrados, em ritmos variados.
Sob um jogo de luzes multicoloridas, que lhe emprestava um brilho especial à performance, o trio agradou a multidão formada de adultos e adolescentes.  As pessoas vibravam com palmas e mais palmas, em curtos intervalos, reconhecendo o talento dos artistas e a qualidade dos textos vividos.
Na tela foram exibidas filmagens de Chico Xavier e Divaldo Franco em seus admiráveis testemunhos da beleza e do sagrado conteúdo da literatura espírita.
Foram momentos felizes numa noite mágica, vividos por todos nós que concordamos com a Doutrina dos Espíritos:  a morte não existe, por isto é uma piada.
RENATO PRIETO ofereceu-se para voltar a esta cidade em outubro, durante as realizações do Mês Espírita.  Vamos aguardar com alguma ansiedade.  À saída, ator e atrizes postaram-se de forma simpática para receber os merecidos cumprimentos dos que assistiram ao belíssimo evento.

Na introdução, Alexandre Barbosa1 – a quem coube a iniciativa da encenação – distribuiu diversos brindes, sorteados entre os presentes na plateia.  E informou que a montagem do espetáculo foi uma feliz realização do Programa Mensagem Espírita2 com o apoio de:
·      Prefeitura Municipal de Além Paraíba.
·      Alpa Hotel.
·      Porto Grill Churrascaria.
·      AME-AP e Todas as Casas Espíritas da Região.

Cleber Dutra,  Além Paraíba-MG, 09 de agosto de 2011.

1 – Coordenador de Mensagem Espírita – site programamsgespirita.blogspot.com

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O Peixinho Vermelho


O  Peixinho  Vermelho

E

mmanuel, o benfeitor espiritual de Chico Xavier, escreveu como prefácio do livro Libertação, de André Luiz, a linda história do Peixinho Vermelho, aqui comentada.

Uma antiga lenda egípcia diz que havia um lago habitado por muitos peixes.  Um deles era magrinho e passava o dia nadando de um lugar para outro em busca de alguma larva para alimentar-se.  Quase nada encontrava, porque os outros peixes, maiores, comiam tudo.  Por causa disso, estava sempre com fome.

Certo dia encontrou a grade por onde escoava a água do lago e pensou:  “Que haverá do outro lado dessa grade?”  A curiosidade o incentivou a investigar.  “Não sou feliz neste lugar, quem sabe encontrarei a paz e a felicidade do outro lado?!...”   Mesmo sendo muito magro, passou com dificuldade pela abertura, perdendo algumas escamas.  Levado por diferentes cursos d’água, atingiu um grande rio e dali chegou ao mar.  Conheceu lugares diferentes  e fez muitos amigos,  que lhe mostravam  as novidades e o aconselhavam como escapar dos perigos do novo mundo que se abria para ele.

Assim, chegou a um paraíso, um palácio de coral com águas tépidas e cristalinas profundamente agradáveis.  As maravilhas o surpreendiam:  um imenso jardim cheio de algas de várias cores, alimentação farta e habitantes simpáticos que o cercavam de cuidados. 
Em sua felicidade, pensou nos antigos companheiros que ficaram isolados nas águas turvas do lago.  Resolveu voltar e convidá-los para morar naquele palácio.  Chegou ao rio, dali para um regato e deste para a grade.  Encarou a estreita abertura e se aproximou dos peixes.  Por mais que tentasse, ninguém queria ouvi-lo.  O recurso foi pedir ao rei dos peixes que convocasse a assembléia, onde ele poderia descrever a nova realidade.  Com os antigos irmãos reunidos, falou de sua felicidade e de tudo que conheceu em sua viagem para o imenso oceano.   Convidou-os a fazer  o mesmo, pois seriam igualmente muito felizes.  Mas, havia uma condição:  teriam que emagrecer para passar pela grade.  Como resposta, ouviu uma estrondosa gargalhada.  Chamaram-no de louco.  Não acreditaram em nada que ele dizia.  Usaram de sarcasmo para aumentar-lhe ainda mais o desapontamento.  E cada um, cego pela ignorância e a tendência pelo que é fútil, voltou ao seu repouso enganador, levado pelo egoísmo de acumular o que pudesse, engordando no ócio aviltante.

Triste, por não ser compreendido, o Peixinho Vermelho retornou ao seu palácio de coral, onde foi feliz para sempre.  Depois de algum tempo, houve uma grande seca na região de sua antiga morada.  O lago secou e os peixes morreram na lama fétida.

Para Emmanuel, André Luiz é o peixinho que conheceu as maravilhas de Nosso Lar.  Preocupado com os irmãos que ficaram na retaguarda, voltou para dar notícias do mundo espiritual, onde todos podem ser felizes.  Mas, ninguém quer ouvi-lo, muito menos “emagrecer”.   Não estão dispostos a nenhuma dieta moralizante.   Os encarnados preferem não acreditar na existência das esferas espirituais.  Agrada-lhes viver de sua arrogância, ignorando a realidade que os espera.  Estão iludidos no ócio milenar, engordando nos vícios acalentados pelo egoísmo ou inflados pela vaidade de transitórias realizações terrenas.  Um dia, serão compelidos a deixar as obscuras paisagens terrenas e sofrer a amargura por ter desperdiçado o tempo em coisas inúteis.

Um Caminheiro
Além Paraíba, 21 de maio de 2010.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Padre e o Pastor


O  Padre  e  o  Pastor
V

ou contar um caso de amor... ao próximo nos caminhos que conduzem a Deus.  Aconteceu com um antigo sacerdote muito amigo do povo desta cidade.  Isto foi há muito tempo, em meados do século passado.  
Ele acabara de celebrar missa para as recatadas freiras do Colégio dos Santos Anjos e suas alunas.  Deixando para trás um sorriso de despedida para as irmãs e as jovens normalistas, buscou a rua para aguardar uma condução com destino a Porto Novo, onde o esperava um novo compromisso. 
O Pe. Antônio Hommann postou-se, então, no ponto de ônibus em frente à “Escola Normal”, de onde acabara de sair.  Para junto dele chegou um pastor protestante  – José Ferreira –, conhecido pelos seus alunos como Prof. Ferreirinha (era meu competente professor de Inglês no primeiro ano ginasial do CAP).
Naquele tempo,  os católicos  não gostavam de  falar com os evangélicos, nem com os espíritas.  E vice-versa para todos. 
Os dois estavam sozinhos naquele ponto de ônibus, sob o efeito escaldante dos raios solares.  O silêncio entre ambos era ensurdecedor.  O pastor evitava cruzar o olhar com o do vizinho, fiel à tradição do preconceito.  Entretanto, o padre Assuncionista se esforçava para mexer com o reverendo metodista.  Se o ônibus tardava, o diálogo não tardou, mercê da insistência do celebrante católico.  Muito simpático, com um magnetismo que raiava os níveis elevados de conexão com o céu, o Padre Antônio conseguiu arrancar uns monossílabos sem graça do companheiro, que insistia em ficar na defensiva.  Mesmo com essa dificuldade, os assuntos foram fluindo, aos poucos...  Primeiro, sobre o tempo.  Depois, sobre o calor.  Em seguida conversaram sobre a dificuldade da empresa de ônibus em manter os horários.  Já em clima de festa, falaram também de futebol, da Copa do Mundo, de viagens ao exterior, das culturas além fronteiras e terminaram por comer no mesmo prato de suas preferências:  o Evangelho de Jesus.  E evitando os atritos oriundos de interpretações pessoais, se deliciaram na troca de comentários felizes a respeito da bondade de Jesus e da inesgotável paciência do Mestre em nos suportar.  Histórias narradas pelas escrituras foram lembradas com o gosto e o colorido que sabem dar os corações bem formados.
Assim estavam eles amarrados numa conversa de alto nível, quando apareceu, pedalando pela Av. Dezoito de Julho, um cidadão ateu – diziam que ele era partidário do Comunismo.  Permito-me não revelar-lhe o nome, por uma questão de ética.  O comunista parou sua bicicleta.  Olhou para o padre!...  O padre o encarou, serenamente, com a firmeza de uma consciência sublimada.  O comunista olhou para o pastor, que abaixou a cabeça, meio desapontado, meio tímido, como uma criança que fora pega em flagrante, fazendo uma arte. 
O da bicicleta esboçou um sorriso irônico e vociferou:
– Eu não sabia, Padre Antônio, que o senhor se dava tão bem com o Pastor Ferreirinha!...
Enquanto o protestante, bastante deslocado, enfurnado no seu bonito terno de tonalidades escuras, ajeitava o nó da gravata, mostrando o constrangimento pelas faces avermelhadas, o vigário, em sua elegante batina de cor bege, impecavelmente arrumada, de faces vermelhas também – porque esta era a sua cor habitual de holandês sofrido no calor dos trópicos alemparaibanos –, surpreendeu, rápido, o cidadão ateu, com uma resposta fraterna, como era de seu feitio de educador de almas.  Suas palavras partiam de um rosto jovial, risonho e eram de uma luminosidade espiritual ímpar, ao mesmo tempo vestida com a graça e a simplicidade das coisas terrenas:
– Eu e o pastor Ferreirinha somos colegas!...  Não sabia?...  Nós trabalhamos para o mesmo patrão, que é Deus!...
Em sutil reverência, como que agradecendo ao companheiro espirituoso, o Ministro Evangélico finalmente ergueu a cabeça, com o semblante feliz, revelando o conforto máximo de que sua alma desfrutava naquele momento.  O padre retribuiu com um largo sorriso.
O terceiro, um tanto envergonhado, um tanto zangado, um tanto vencido, aprumou o veículo e saiu dali em absoluto silêncio.

Cleber Dutra  (Além Paraíba, 21 de maio de 2010).