sábado, 17 de setembro de 2011



Zilda  Gama

Z
ilda Klörs Gama foi uma das mais celebradas médiuns do Brasil.  Filha do escrivão de paz, Augusto Cristiano da Gama e de Elisa Emília Klörs Gama, nasceu em 11 de março de 1878, em Três Ilhas, Município de Juiz de Fora (MG), e desencarnou aos 10 de janeiro de 1969, no Rio de Janeiro (RJ).  Ela viveu por quase 91 anos, tornando-se paradigma para todos os que encaram a mediunidade como sacerdócio lídimo e autêntico.  Em 1959, após sofrer derrame cerebral, viveu numa cadeira de rodas, assistida pelo sobrinho Mário Ângelo de Pinho, que lhe fazia companhia.  Não obstante as grandes lutas morais que teve que sustentar, Zilda Gama se constituiu na orientadora de muitas criaturas.  É o que pretendemos demonstrar nesse breve relato.

Incontestavelmente, os grandes medianeiros que têm servido de ponte entre os mundos material e espiritual no trabalho meritório de descortinar novos horizontes para a conturbada humanidade terrena foram missionários, podendo-se mesmo afiançar que, na constelação dos médiuns que brilharam na Terra, prodigalizando aos homens novos conhecimentos e preparando o terreno para a implantação da verdade, Zilda Gama brilhou de modo fulgurante, cabendo-lhe uma posição das mais proeminentes.   Alma de escol, dedicou toda sua longa existência ao propósito de difundir no Brasil a consoladora Doutrina dos Espíritos.

Zilda no magistério

Em Além Paraíba (MG), um portão de entrada para o território mineiro, Zilda foi professora primária e diretora de escolas.  Dirigiu o então Grupo Escolar Salles Marques, no bairro de Porto Novo, e também o antigo Grupo Escolar Coronel Castelo Branco, no bairro de Ilha Recreio.  Em 1929 teria transferido residência para Belo Horizonte (MG), ocasião em que obteve o primeiro lugar em concurso aulas-modelos promovido pela Secretaria de Educação de Minas Gerais.  Acreditamos que já residia nesta cidade quando, ainda jovem, com apenas 24 anos, ficou órfã dos pais, tendo que assumir a direção da casa, cuidando de cinco irmãos menores e posteriormente de outros cinco sobrinhos órfãos. 

Zilda nos congressos

No ano de 1927 tomou parte no I Congresso de Instrução Primária de Minas Gerais (possivelmente em BH), como membro permanente.  Em 1931 veio o Congresso Feminino, quando o Brasil viveu intenso movimento em prol dos direitos da mulher.  Zilda Gama foi autora da tese sobre o voto feminino no importante evento.  Essa tese foi aprovada oficialmente e influiu na Constituição de 1932, quando a mulher teve reconhecido o seu direito de votar.  No dia 3 de maio de 1933, graças à influência benéfica da médium, as mulheres brasileiras votaram pela primeira vez, ajudando a eleger os deputados para a Assembleia Nacional Constituinte, durante a Era Vargas.  No ano seguinte, aqueles deputados elegeram Getúlio para Presidente da República.
Zilda na literatura

A professora mineira, que quebrou a exclusividade masculina em questões de direitos civis, exerceu o jornalismo profissional, escrevendo contos e poesias para vários jornais de Juiz de Fora e Ouro Preto, São Paulo e Rio de Janeiro.   Destacou-se no "Jornal do Brasil", "Gazeta de Notícias" e na "Revista da Semana", todos da antiga capital federal.  Didata por excelência, organizou os seguintes livros:  "O Livro das Crianças", "Os Garotinhos", "O Manual das Professoras" e "O Pensamento".
Zilda na mediunidade

Ainda jovem, a médium começou a perceber a presença dos Espíritos.  Recebeu mediunicamente mensagens de seu pai e de sua irmã, já desencarnados, que a aconselhavam e a consolavam nos momentos de provações difíceis pelos quais estava passando.

Em 1912, vivendo em Além Paraíba (MG), sem ter qualquer conhecimento da Doutrina Espírita, recebeu interessante mensagem assinada por Allan Kardec com o seguinte teor:
Sobre a tua fronte está suspenso um raio luminoso que te guiará através de todas as dificuldades, de todos os obstáculos, e será a tua glória ou tua condenação, conforme o desempenho que deres aos teus encargos psíquicos.  Cinge-te de coragem, sem desfalecimento e sem deslizes, em todos os teus deveres sociais e divinos e conseguirás ser triunfante”  1.

Após essa manifestação, o Codificador propiciou-lhe outros ensinamentos, os quais foram impressos no livro "Diário dos Invisíveis", publicado em 1929.  Nessa mesma cidade mineira foi alvo de novos contatos com Espíritos superiores.  Corria o ano de 1916.  Os Benfeitores informaram-lhe que passaria a psicografar uma novela, fato que a deixou bastante perplexa.  O Espírito Victor Hugo passou, então, a escrever por seu intermédio.  Dentro de pouco tempo, a primeira obra "Na Sombra e na Luz" estava completa.  Posteriormente, sob a tutela do mesmo Espírito, vieram os livros "Do Calvário ao Infinito", "Redenção", "Dor Suprema" e "Almas Crucificadas", todas publicadas pela FEB.  Mereceu, também de Victor Hugo, outras obras:  "Solar de Apolo" e "Na Seara Bendita".  Pela sua mediunidade os leitores ainda ganharam as seguintes publicações, cujos autores desconhecemos: "Na Cruzada do Mestre" e "Elegias Douradas".

Os livros mediúnicos da mineira juizforana fizeram época na literatura espírita, além de terem o mérito de suavizar muitas dores e estancar muitas lágrimas.  Zilda Gama foi a pioneira, no Brasil, a receber tão vasta literatura do mundo espiritual, precedendo ao médium do século – Chico Xavier. 

Zilda, benfeitora espiritual

O Centro Espírita Zilda Gama, localizado no Clube dos Duzentos, no Distrito de Jamapará, Município de Sapucaia (RJ), elegeu essa luminosa alma à condição de sua benfeitora espiritual.

A médium Augusta Gama

Augusta Gama Sahione, irmã de Zilda, viveu nesta cidade de Além Paraíba, no elegante bairro de Porto Novo.  Era casada com Taufick Sahione, um cirurgião-dentista de origem libanesa.  Desencarnou em idade bem avançada e, enquanto teve um sopro de vida, exerceu a mediunidade como Jesus recomendou:  “Daí de graça o que de graça recebestes” (Mateus, 10:8).  Alma caridosa, simplicidade em tudo o que fazia, bondade nas palavras e nas ações, atendia aos enfermos do corpo e da alma como médium receitista.  No atendimento aos necessitados de consolo espiritual e de esclarecimento sobre a arte de viver bem e em paz com todos, Dona Augusta usava as suas faculdades de psicografia e psicofonia, pelas quais os bons Espíritos se comunicavam, falando-lhes da imensa misericórdia de Deus.

Pesquisa realizada por
Cleber Dutra   –   Além Paraíba-MG

1.  Pioneiros de uma Nova Era, livro de Antônio de Souza Lucena.
Outras fontes consultadas:
·      Reformador (março de 1978, pág. 92)
·      Google 

PÁTRIA?

Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011 13:50
O Onipotente, quando houve por bem elaborar o Cosmos, criando miríades de sóis e de planetas, fez as diversas mansões dos Espíritos e nenhum tem pátria fixa.  Não lhes pertence nem um pugilo de pó, nem um fragmento de pedra, nem mesmo a que lhes cobre os despojos funéreos, que se transformam em larvas asquerosas e em vegetais que florescem e aromatizam o ambiente.  O Universo, o Infinito, eis a Pátria de todos nós!
Livro: Na Sombra e na Luz
Zilda Gama, pelo Espírito Victor Hugo (
Quem souber informações a respeito de FOTOS e FATOS da vida e obra de ZILDA GAMA favor entrar em contato com Sandra Maria (sandramaria1962@bol.com.br).  Artigos e poesias (publicados ou não em jornais da época), texto da tese apresentada no Congresso Feminino de 1927 etc.


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